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Numa época em que se destaca a transformação, a informação e o consumo, chama a atenção o tempo líquido em que se vive, consoante as lições de Zygmunt Bauman, em que se constata um mundo alterado na sua constituição a todo instante.

Tendo em vista o desenvolvimento cultural e os meios digitais, toda a cultura do planeta pode ser acessada a qualquer momento, alterando e influenciando a concepção de mundo que cada um possui.

Para Gilles Lipovetsky, ao mesmo tempo que consumimos e somos reconstituídos nesta hipermodernidade, somos influenciados por uma cultura em escala planetária, uma cultura-mundo:

“cultura-mundo significa uma nova relação vivida com o fator distância, uma intensificação da tomada de consciência do mundo como fenômeno planetário, ou seja, visto como totalidade e unidade, pelo qual a globalização constitui uma nova realidade objetiva na história, sendo ao mesmo tempo uma realidade cultural, um fenômeno da consciência, da percepção e da emoção” (A cultura-mundo, Gilles Lipovetsky, 2012, p. 4-5).

Na área cultural e social, as propagandas, novelas, filmes, revistas, internet divulgam e modificam conhecimentos e aprendizagens em todo o mundo, influenciando a criação de identidades sociais e culturais das pessoas.

Desta maneira, a televisão como exemplo, que no passado era basicamente voltada ao entretenimento e à diversão das pessoas, atualmente é instrumento de conhecimento e aprendizagem, moldando e educando as vidas das pessoas em diferentes sociedades, por meio dos seus discursos para o consumo.

Com o desenvolvimento da tecnologia, outros canais, como a internet, permitem influenciar e alterar este ambiente líquido, trazendo uma visão também otimista em relação ao papel da inovação na sociedade mundial.

Para Chris Anderson, curador do TED, em sua palestra “Como os vídeos da internet potencializam a inovação global” (https://www.ted.com/talks/chris_anderson_how_web_video_powers_global_innovation/transcript?language=pt-br), o aumento de vídeos na internet está impulsionando um fenômeno mundial denominado de “Inovação Acelerada pela Multidão”:

“… a última manifestação de um fenômeno que podemos chamar de “Inovação Acelerada pela Multidão”. E existem apenas três coisas que você precisa para que isto engrene. E você pode imaginá-las como três controladores de uma roda gigante. Você aciona os controladores e a roda começa a girar. E a primeira coisa que você precisa é… uma multidão, um grupo de pessoas que compartilham um interesse comum. Quanto maior a multidão, mais inovadores em potencial ela terá. Isto é importante, mas na verdade a maioria das pessoas na multidão ocupam estes outros papéis. Eles criam o ecossistema a partir do qual as inovações surgem. A segunda coisa que você precisa é luz. Você necessita de uma visibilidade clara, aberta, do que os melhores naquela multidão são capazes de fazer, porque é assim que você vai aprender como você vai se capacitar a participar. E terceiro, você precisa desejo. Sabe de uma coisa, inovar é trabalho árduo. Está baseado em centenas de horas de pesquisa, de prática. Na falta de desejo, não acontecerá [a inovação].

Para exemplificar esta inovação acelerada pela multidão, Chris Anderson analisa o ecossistema dos dançarinos de rua que, graças à internet, tem um palco cultural para suas apresentações e para influenciar outras comunidades:

“Dançarinos de rua — eis a multidão, uma pequena [multidão], mas todos podem obviamente ver o que cada um é capaz de fazer. E a parte do desejo surge, imagino, do status social, certo? O melhor dançarino anda “empinado”, consegue os melhores encontros. Provavelmente haverá alguma inovação acontecendo aqui. Mas na ‘web’, todos os três controladores estão bem altos. A comunidade de dança é global agora. Milhões estão conectados. E assombrosamente, você ainda pode ver o que os melhores podem fazer, porque a própria multidão os ilumina seja diretamente, através de comentários, pontuações, e-mail, Facebook, Twitter, ou indiretamente, via número de acessos, via ‘links’ apontados pelo Google. Ou seja, é fácil encontrar bom material, e, quando você o encontra, pode assisti-lo bem de perto, repetidas vezes e ler o que centenas de pessoas escreveram sobre aquilo. Isso é muita luz.

Verifica-se, portanto, as infinitas possibilidades de influência e aprendizagem dos meios digitais nessa modernidade líquida atual em todo o planeta, para um desenvolvimento cultural das sociedades e, em especial, para um novo impulso na área da inovação.

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